COLOMBIANOS ACAMPADOS NO AEROPORTO DE GUARULHOS

Mais de 200 colombianos que estão acampados no Aeroporto Internacional de Guarulhos, sem perspectiva de retornar ao seu país, receberam nesta quinta-feira (28) doações de um grupo de 20 voluntários. 

Foram entregues alimentos, roupas, brinquedos e cobertores. São 130 mulheres, 74 homens e 25 crianças, entre eles um bebê de apenas um mês de idade, que estão divididos em dois saguões.

Representantes de três ONGs unidas no grupo “Conectados do Terceiro Setor” fizeram uma apresentação para entreter as crianças, com a visita de um homem vestido como o pirata Jack Sparrow, do filme Piratas do Caribe, para contarem histórias. “São muitos dias, as crianças começaram a ficar entediadas ali”, relatou Ricardo Martins, o voluntário que se fantasiou.

O grupo se mobiliza agora para conseguir um local na cidade em que os estrangeiros possam tomar banho. Não há chuveiros disponíveis no aeroporto, onde já estão há cerca de 15 dias.

“Já conseguimos um ônibus para transporte, mas ainda falta o local. Estamos vendo com hotéis da cidade, mas uma opção pode ser os vestiários do estádio do Flamengo de Guarulhos”, disse o empresário e voluntário Wesley Oliveira, sobre o estádio municipal Antônio Soares de Oliveira.

Os voluntários buscam também parcerias com lavanderias da cidade para higienização das roupas. 

O uso de máscaras é obrigatório e apesar da aglomeração, até o momento ninguém apresentou sintomas de Covid-19. Há um idoso entre os colombianos.

Eles sobrevivem com doações e usam a parte externa do aeroporto para cozinhar em fogões improvisados. “Vamos ampará-los enquanto eles estiverem aqui, mesmo com nossas limitações. Mas não queremos fazer festa de seis meses das crianças que estão acampadas no aeroporto. Queremos que eles vão para a Colômbia, o movimento é para que eles consigam voltar”, disse Ricardo Martins.

A maioria dos colombianos trabalhava em São Paulo, em confecções de roupas no bairro do Brás, e acabou ficando sem emprego por conta da pandemia do coronavírus.

O Ministério Público Federal tenta resolver o impasse. Segundo a assessoria do MPF-SP, várias autoridades se reuniram em videoconferência por cerca de quatro horas na última quarta-feira e estão em tratativas para tentar resolver a questão.

A Prefeitura de Guarulhos diz não ter condições de bancar um hotel para mais de 200 pessoas e cobra que o Governo colombiano tome providências urgentes. Instituições de direitos humanos do país vizinho vêm sendo acionadas para fazer pressão interna nos políticos do país.

Segundo o site do Consulado da Colômbia, há um voo humanitário previsto para regresso a Bogotá em 04 de junho. As vagas, porém, devem ser destinadas a outros colombianos hoje espalhados no Brasil, que pagarão pelos bilhetes.

Os colombianos acampados no Aeroporto de Guarulhos alegam não possuir recursos para bancar as próprias passagens e nem para pagar 14 dias de hospedagem em hotel que serão necessários no regresso ao país como forma de isolamento social obrigatório.   

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