FALECEU AOS 84 ANOS O MESTRE DA LITERATURA POLICIAL

Faleceu nesta quinta-feira (16), aos 84 anos o escritor Luiz Alfredo Garcia- Roza. A informação foi divulgada por sua esposa, a também escritora Livia Garcia-Roza através de uma rede social.

Garcia-Roza era conhecido por seus livros policiais, que costumam ter o seu personagem-fetiche, o detetive Espinosa no centro das atenções. Ele deixa a esposa e três filhos. 

Nascido no Rio de Janeiro em 1936, Garcia-Roza estreou tardiamente na ficção. Professor universitário, especialista em psicanálise, publicou seu primeiro romance em 1966, já com 60 anos de idade.

A espera foi justificada: Elogiado pela crítica, “O Silêncio da Chuva” ganhou o prêmio Jabuti no ano seguinte, na categoria romance. O livro marca a primeira aparição do detetive Espinosa, um solteirão workhalic de meia idade, que vive metido na investigação de crimes sórdidos no Rio de Janeiro.

Nos últimos 20 anos, Garcia-Roza se firmou como um dos principais autores do gênero noir no Brasil, com histórias geralmente passadas no bairro de Copacabana. Parte desse sucesso é baseado na popularidade de Espinosa. Culto, metódico e ético, o heterodoxo funcionário da lei foi vivido pelo falecido ator Domingos Montagner (1962-2016) na série “Romance policial: Espinosa”. No cinema, será interpretado por Lázaro Ramos na adaptação ainda inédita, de Daniel Filho para “O Silêncio da Chuva”.

Entre 1996 e 2014, Garcia-Roza escreveu no total 11 romances, todos pela Companhia das Letras. Alguns dos mais conhecidos são “Achados e Perdidos” (1998); “Uma Janela em Copacabana” (2001); “Espinosa sem Saída (2006); “Céu de Origamis” (2009) e “Um Lugar Perigoso” (2014).

Ele deixou pronto o romance “A Última Mulher”, também com Espinosa como protagonista, desta vez investigando um homicídio no baixo meretrício da Lapa carioca. Sairá em julho, pela Companhia das Letras, segundo o seu editor, Mateus Baldi.

“Trabalhamos o material juntos, foi um processo muito bonito. Ficamos muito amigos nos últimos anos e acabamos nos tornando uma espécie de mentor e discípulo, avô e neto. A literatura brasileira ganhou novo sopro com seus romances autenticamente policiais e brasileiros, sem imitações, um estilo único”, diz Baldi.

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