JUSTIÇA PRENDE SUSPEITOS DE COMPRA IRREGULARES.

Sócios das empresas que disputaram licitação para a venda de respiradores para o RJ são da mesma família

MP suspeita de fraude no negócio. Contrato firmado entre a Secretaria de Saúde e a Arc Fontoura ultrapassa os R$ 67 milhões. Nenhum dos 400 equipamentos prometidos foi entregue até o momento. Quatro pessoas foram presas nesta quinta-feira (7).

07/05/2020 20h49  Atualizado há 9 horas


Ministério Público prende ex-subsecretário de Saúde por problema na compra de respiradores

Ministério Público prende ex-subsecretário de Saúde por problema na compra de respiradores

A compra emergencial de respiradores para pacientes de Covid-19 no estado do Rio de Janeiro está sob suspeita. Quatro pessoas foram presas durante operação do MP e Polícia Civil nesta quinta-feira (7), entre elas Gabriel Neves, ex-subsecretario estadual de Saúde, por suspeita de vantagens ilegais nas aquisições.

A imprensa teve acesso as propostas das três empresas que participaram do pregão aberto pelo governo e constatou que todos os envolvidos possuem ligações.

Os documentos mostram que os donos das empresas que disputaram e perderam a licitação para a venda de 400 respiradores para a Secretaria de Saúde do Estado do RJ são da mesma família. São eles: Maria Monteiro da Fontoura e Antônio Ribeiro da Fontoura, sócios da Atacadão Farmacêutico.

A outra empresa que entrou na disputa foi a Jabel Marketing e Representações, que pertence aos sócios Maria Monteiro da Fontoura (também sócia da Atacadão) e Maurício Monteiro da Fontoura.

Já o nome da empresa que venceu a licitação com suspeita de fraude é Arc Fontoura.

Contrato de R$ 67 milhões

O contrato assinado entre a Arc Fontoura e a Secretaria de Saúde garantia R$ 67,9 milhões para a empresa, que deveria entregar imediatamente 400 respiradores que ajudariam a salvar vidas nos hospitais públicos do RJ.

Essa foi a maior compra de medicamentos que a secretaria fez, mas até o momento nenhum equipamento foi entregue.

Como revelou a imprensa, a Arc Fontoura apresentou a proposta mais barata entre as concorrentes. Cada respirador custou, aproximadamente, R$ 169 mil. A proposta da Atacadão Farmacêutico foi de R$ 177 mil, por equipamento. Já a Jabel pediu R$ 183 mil por respirador.

Empresa sem sede

Na proposta, a Atacadão Farmacêutico disse que sua sede ficava na Estrada dos Bandeirantes, 1.430, box 3, na Taquara, Zona Oeste do Rio. Mas no endereço funciona a loja de materiais de construção Chatuba.

A reportagem também esteve no endereço que seria a sede da Jabel, na rua Pinto Teles, Campinho, na Zona Norte. No local funcionava uma casa, onde mora Beatriz e sua irmã. As duas disseram que ali nunca funcionou nenhuma empresa.

Maria Fontoura nega propostas

Sócia das duas empresas que entraram na disputa com a Arc Fontoura, Maria Monteiro Fontoura negou, por telefone, que tenha apresentado propostas para essa licitação.

Empresa vencedora suspeita

Entre os donos da Arc Fontoura não existe ninguém com o sobrenome Fontoura. A única representante da empresa é Cynthia Neumann, um dos alvos da operação da Polícia Civil e do Ministério Público que investigam a operação.

Na decisão da Justiça que determinou as prisões desta quinta-feira, apesar de ser dona de uma empresa de capital social de R$ 2 milhões e vencedora de um contrato público no valor de R$ 67 milhões, Cynthia aparece como gerente administrativa da Atacadão Farmacêutico – uma das empresas que apresentou proposta e perdeu – com um salário de R$ 1.597.

O Ministério Público suspeita que Cynthia seja laranja no esquema. A defesa de Cynthia nega as acusações e alega que ela tem uma sólida empresa de representação de produtos hospitalares. “No caso específico, houve contratação emergencial por dispensa de licitação em função da pandemia, e não houve recebimento de material não recebido, o que será comprovado”, diz a nota.

Contrato assinado

Tivemos acesso a um documento da Our Company, nome fantasia da Arc Fontoura, que estava assinado por Maurício Fontoura. O documento atendia um pedido do superintendente de logística da Secretaria de Estado de Saúde, Gustavo Borges da Silva, que também foi preso nesta quinta.

Equipamentos ainda não chegaram

Na última segunda-feira (4), a Secretaria de Saúde reconheceu que dos 400 respiradores comprados, apenas 68 devem chegar até o dia 15 de maio. Segundo a pasta, a primeira parcela do pagamento já foi quitada.

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