MÉDICOS DO SAMU TERÃO QUE FAZER ATESTADOS DE ÓBITO

Além de salvar vidas, os médicos das ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) da cidade de São Paulo terão que fazer atestados de óbito durante a pandemia de coronavírus. 

A medida foi adotada pela Secretaria Municipal de Saúde, após determinação da Secretaria Estadual de Saúde, entrou em vigor desde a semana passada. Os médicos atestarão mortes naturais, indefinidas e causadas pela Covid-19 fora dos hospitais.

Antes, o atestado de óbito era feito pelo Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), mas devido ao aumento de casos de mortes em razão da doença, esse atendimento ficou sobrecarregado.

Com mais essa obrigação de atestar mortes, os médicos do SAMU estão preocupados, eles temem deixar a cidade e a população sem assistência. 

“Ou nós vamos atender os vivos, ou nós vamos atender os mortos. Não dá para fazer as duas coisas minimamente bem, no geral nós temos demorado duas horas para fazer cada declaração de óbito. Isso é impossível para o SAMU”, disse um médico que não quis se identificar.

Pela nova regra, o SAMU examinará o corpo, fará o teste para o vírus, e preencherá uma autópsia verbal.

A mudança na elaboração dos atestados de óbito visa amenizar os impactos da doença, segundo as autoridades. Se após a elaboração do documento for confirmado que a morte ocorreu devido a Covid-19, o atestado será alterado. 

Especialistas na área de saúde avaliam que uma alternativa seria criar uma equipe somente para assumir essa função de fazer os atestados de óbito.

“Há um problema e a gente vai ter sim desvio de profissionais e ambulâncias para atender ocorrências de óbito, sendo que eles poderiam estar atendendo vidas na rua”, disse Éder Gatti, infectologista e presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp).

Desde o ano passado, a prefeitura fechou 31 bases do SAMU na capital e realocou as equipes para unidades básicas de saúde, AMAS e unidades de pronto atendimento.

A prefeitura, responsável pelo SAMU, informou que cumpre a decisão da Secretaria Estadual de Saúde e que a prioridade do serviço ainda é atender casos de urgência e emergência.  

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