MOTORISTAS CLANDESTINOS DISPUTAM PASSAGEIROS NO TAPA NO AEROPORTO.

Pandemia de coronavírus provocou queda no número de passageiros e acirrou disputa entre os profissionais autorizados a trabalhar em Cumbica e os que operam de forma ilegal.

Imagens registradas no desembarque do Aeroporto Internacional de São Paulo, conhecido como Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, mostram cenas de brigas e agressões entre taxistas e motoristas clandestinos, que disputam transportar passageiros no local.

Em um dos vídeos, feito no dia 2 de setembro, um homem de agasalho branco que chama passageiros para usarem o transporte clandestino dá um soco no rosto de um taxista dentro do saguão do aeroporto.

O taxista revida às agressões. Passageiros ficam assustados com a briga e se afastam do local. A briga terminou após a intervenção de outras pessoas.
O taxista é credenciado pelo aeroporto para trabalhar no local. Já o outro homem é conhecido como “arrastador” e responsável por atrair passageiros que acabaram de desembarcar.

O taxista, que pediu para não ser identificado, disse que as ameaças são frequentes.

“É ameaça todo dia. Fica do lado ali falando que se pegar passageiro dele vai ter”, disse.

Em um outro vídeo, é possível ver o mesmo “arrastador” tentando convencer um passageiro a optar pelo transporte ilegal, quando o taxista que foi agredido se aproxima e começa a discussão. O passageiro vai embora, mas a discussão continua.

“Foram totalmente agressivos com a gente e até me ameaçaram falando que da próxima vez que eu derrubasse uma corrida deles, eles iam me quebrar na porrada.”

Pandemia

O terminal aéreo localizado na Grande São Paulo é o maior do país e porta de entrada de muitos estrangeiros.

A pandemia de coronavírus provocou queda no número de passageiros e acirrou a disputa entre os profissionais autorizados a trabalhar em Cumbica e os que operam ilegalmente.

A prática ilegal é conhecida e há uma placa instalada pelo próprio aeroporto com a frase “Diga não ao transporte clandestino”.

Mais denúncias

Relato de uma uma funcionária do serviço de táxi do aeroporto também fala de uma discussão. “É uma situação em constrangedora, terra de ninguém”, relata a profissional.

As funcionárias revelam ainda que estão sofrendo intimidações frequentes quando deixam o posto de trabalho para ir ao banheiro.

Na última quarta-feira (9), um taxista registrou um boletim de ocorrência contra um motorista clandestino. Ele diz ter sido ameaçado com um revólver.

Registro de ocorrências

Neste ano, de acordo com a polícia, foram registrados sete boletins de ameaça na delegacia. No ano passado, 17 taxistas foram indiciados por agredir motoristas clandestinos. Ninguém foi preso.

“Esses 17 taxistas indiciados faziam parte do chamado esquadrão. Eles se reuniam, havia um escalonamento entre eles, com posição de liderança por parte de alguns que determinavam a tarefa deles. Eles vinham, inclusive, dentro de porta-malas de veículos e desciam em dez, às vezes, mais pessoas, para agredir um único motorista de aplicativo ou motorista clandestino. Então, foram indiciados por associação criminosa”, afirmou o delegado Luiz Alberto Guerra.

O aeroporto de Cumbica tem taxistas cadastrados e um ponto de embarque e desembarque para motoristas de aplicativos.

Já os motoristas clandestinos não possuem autorização para trabalhar no local.

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