NO RIO OSS RECEBERAM R$ 1,8 BILHÕES DA SAÚDE EM DOIS ANOS.


Oito organizações sociais investigadas receberam R$ 1,8 bilhão da Saúde do estado em dois anos

O valor corresponde a 56% de todas as despesas pagas pela SES desde o início do mandato de Witzel (cerca de R$ 3,2 bilhões)

Rafael Galdo

Hospital Estadual Getulio Vargas na Penha, em 4/9/2020 Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo
Hospital Estadual Getulio Vargas na Penha, em 4/9/2020
Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo

Uma “vasta rede de corrupção” que tomou conta do Rio. É como o Ministério Público Federal (MPF) descreve — no pedido de prisão preventiva dos envolvidos nas denúncias que levaram ao afastamento do governador Wilson Witzel — o esquema montado com as organizações sociais (OSs), mediante pagamentos de propinas e jogos de cartas marcadas para fechar contratos com o governo. São suspeitas que recaem sobre uma estrutura bilionária. Um levantamento do GLOBO no Portal Transparência Fiscal do Estado mostra que as OSs relatadas nos documentos do MPF receberam pelo menos R$ 1,8 bilhão da Secretaria estadual de Saúde (SES) para a gestão de hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), em pagamentos de empenhos realizados entre 2019 e 2020.

O valor corresponde a 56% de todas as despesas pagas pela SES desde o início do mandato de Witzel (cerca de R$ 3,2 bilhões). Segundo a denúncia do MPF, as organizações que movimentaram uma montanha de dinheiro são ligadas ou receberam vantagens de grupos com influência no governo, como o do empresário Mário Peixoto e o do Pastor Everaldo, presidente do PSC.

As investigações e a delação do ex-secretário de Saúde Edmar Santos indicam a trama de diferentes mecanismos para os ilícitos. Mas, em geral, apontam que o objetivo era a cobrança de 5% de propina do valor de cada contrato. Ou seja, se o percentual for aplicado ao R$ 1,8 bilhão de pagamentos identificados, equivale a R$ 90 milhões.

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