PELO SEGUNDO DIA SEGUIDO DÓLAR OPERA EM QUEDA

O dólar opera em queda pelo segundo dia seguido nesta quinta-feira (21), após alcançar a mínima em duas semanas na véspera, ainda que acompanhando as tensões políticas vindas de Brasília e o clima negativo nos mercados externos. Às 9h24, a moeda norte-americana era vendida a R$ 5,6561, em queda de 0,55%.

Na quarta, o dólar terminou o dia em baixa de 1,20%, a R$ 5,6875, abaixo de R$ 5,70 pela primeira vez desde 05 de maio. No mês, a moeda passou a acumular alta de 4,56%, e no ano, de 41,84%.

Apesar da queda na véspera, para Felipe Pellegrini, gerente de tesouraria do Travelex Bank, ainda é “muito cedo” para se falar em reversão de tendência de alta. Ele cita, entre os fatores, a incerteza sobre o andamento da crise de saúde pública no Brasil. “Estamos com os números (de mortes e casos de coronavírus) nas máximas, mas não sabemos se isso é o pico ainda”, disse.

A leitura é que, quanto mais demorar para achatar a curva de casos e mortes no Brasil, mais tempo a economia levará para se recuperar. Pellegrini calcula que o dólar deverá operar num intervalo entre R$ 5,40 e R$ 5,80 ao longo deste ano. “Mas, no curto prazo, é possível que cheguemos aos R$ 6,20”, afirmou.

Evidência da incerteza do investidor com o câmbio, a volatilidade implícita das opções de dólar/real para três meses segue como a mais alta entre as principais divisas emergentes, bem acima de 20% e perto dos picos do ano, enquanto medidas equivalentes para vários rivais do grupo estão em queda há semanas.

“Estão todos esperando a decisão do (ministro do STF) Celso de Mello sobre o vídeo da reunião ministerial. Dependendo do teor desse vídeo podemos ter uma guinada para cima ou para baixo no dólar”, disse Ilan Arbetman, analista da Ativa Investimentos. 

Arbetman se referiu a um vídeo apontado como importante prova dentro do inquérito em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) que apura as acusações feitas pelo ex-ministro da Justiça Sergio Moro de que o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir no comando da Polícia Federal. Celso de Mello, relator do caso, vai decidir se divulga o vídeo da reunião ministerial.

Lá fora, os mercados reagem mal ao aumento das tensões comerciais entre Estados Unidos e China agravando as preocupações sobre o ritmo de recuperação econômica diante da crise causada pelo coronavírus, mesmo enquanto vários países flexibilizam as restrições.

Na quarta-feira (20), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, mirou Pequim, chamando os US$ 2 bilhões de dólares que a China prometeu para combater a pandemia de “insignificantes”.

Na Europa, o clima é negativo com os últimos dados de atividade empresarial revelando o impacto danoso da crise do coronavírus. Dados divulgados mais cedo mostraram que o efeito devastador da pandemia na economia da zona do euro diminuiu um pouco em maio depois que os bloqueios impostos para conter a propagação do vírus começaram a ser atenuados, mas ainda estava longe de marcar um crescimento.

Depois de ter caído para o fundo do poço em abril, o Índice de Gerentes de Compras Composto preliminar do IHS Markit se recuperou para 30,5, contra leitura de 13,6 de abril.

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