QUARENTENA EM SÃO PAULO COMPLETA DOIS MESES NESTE DOMINGO

A quarentena no estado de São Paulo para conter a expansão do novo coronavírus completa dois meses neste domingo (24), e o período foi marcado por uma grande mudança de rotina para as pessoas. Porém, com o passar do tempo, a população começou a relaxar as medidas de isolamento social.

Para o governo, se as medidas atuais fossem respeitadas, com taxas de isolamento perto de 70%, já seria possível conter o avanço da doença e evitaria medidas mais restritivas, como o lockdown, que está em estudo pelo governador João Doria.

“Quanto menos eficiente é o isolamento social, mais longa será a epidemia. Se nós tivéssemos índices próximos a 70%, a epidemia já estaria controlada e a gente poderia pensar nas próximas fases”, afirma o coordenador do Centro de Combate ao Coronavírus, Dimas Covas, que prevê que a epidemia poderá seguir até outubro se o distanciamento não aumentar.

O cientista político Carlos Melo afirma que a população está dividida entre a prevenção ao novo coronavírus, o risco de parada da economia e falta de um discurso comum entre os políticos sobre o distanciamento.

No primeiro dia da quarentena, em 24 de março, a taxa de isolamento no estado foi de 54%, e o índice nunca chegou nos esperados 70% do governo, o máximo foi de 59%, alcançados em cinco domingos, sendo a última vez no dia 03 de maio. Na última quinta-feira (21), o isolamento está bem abaixo: 49%. Dados de trânsito também mostraram esse relaxamento.

A quarentena foi decretada para tentar evitar um caos no sistema de saúde no estado, ela foi anunciada pelo governador João Doria quatro dias depois da confirmação da primeira morte pela Covid-19 no Brasil, que ocorreu em São Paulo.

A ideia era manter o maior número de pessoas dentro de casa, já que não há vacina e nem remédio que evite o novo coronavírus. O isolamento é a única medida eficaz, segundo autoridades de saúde, para frear a curva de contágio da doença. 

“Isso fez com que o número de casos novos por dia fosse bem menor do que teria sido se não tivesse feito nada, o número de reprodução da epidemia baixou de 3 para perto de 1”, explica Roberto Kraenkel, membro do Observatório Covid-19 Brasil e professor de física.

Foram muitas tentativas, com acertos, erros e uma certeza: ainda não dá para baixar a guarda.

Nas primeiras semanas, distanciamento social foi mais respeitado, mas o isolamento foi afrouxando. A cidade pacata no início das restrições desapareceu.

Segundo o cientista político Carlos Melo, isso é reflexo de uma população dividida “Entre o temor do coronavírus e o temor econômico, que é muito sério, e dividida entre as opiniões de políticos, que se confrontam e não dão uma mensagem pronta”.

Inicialmente programada para durar 15 dias, o governo precisou prorrogar a quarentena diante do avanço de casos da doença. No dia 09 de abril, o estado apresentou o Sistema de Monitoramento Inteligente (Simi), que passou a verificar os índices de isolamento social.

Com um número de leitos vazios cada vez menor e o sistema de saúde pressionado, veio a segunda prorrogação da quarentena, no dia 17 de abril.

Desde então, muitas medidas foram tomadas para manter as pessoas o máximo possível em isolamento. Na capital, a Prefeitura montou bloqueios em avenidas movimentadas, mas abandonou a ideia dois dias depois. Logo na sequência foi implementado o mega rodízio, que também não deu certo. 

“Precisamos retomar o isolamento, precisamos rápido e estamos ficando sem alternativas”, disse o prefeito Bruno Covas no dia 17 de maio.

Com a terceira prorrogação da quarentena no estado, que vai até 31 de maio, a Prefeitura da capital antecipou, de surpresa, alguns feriados para esta semana, mas sem a adesão de cidades importantes como Guarulhos e Osasco.

No final, o que se viu foram ruas com movimento parecido com o das últimas semanas. 

Dois meses depois do início da quarentena, já são mais de 6 mil mortes no estado. Sem qualquer restrição, o cenário seria infinitamente pior, de acordo com Kraenkel.

“No começo de março, a gente tinha um crescimento muito forte da epidemia, que, se não fosse contido, seria uma tragédia, uma catástrofe de dimensões que nunca se viu aqui. Era necessário fazer alguma coisa, e que foi feito foi introduzir medidas de isolamento social”. 

*G1 

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